Uma mostra de cinema judaico, com uma estreia mundial, integra aquele que é anunciado como "o maior evento nacional da cultura judaica portuguesa, entre 15 e 18 de junho, em Bragança.

O "Terra(s) de Sefarad: Encontros de Cultura Judaico-Sefarditas" é o tema de um programa de quatro dias com um congresso, exposições, concertos, cinema e outras atividades, além da presença de vários nomes de referência, nomeadamente Yasmin Levy, "a mais conhecida e celebrada voz da música sefardita contemporânea", divulgou a organização.

A Mostra de Cinema Judaico é um dos destaques do programa que inclui durante duas noites, de 15 e 16 de junho, curtas, documentários e ficção, no jardim do Centro do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais.

O documentário francês "O Falsificador" vai ter estreia mundial nesta mostra, segundo a organização.

Trata-se de um documentário que, em 16 minutos, "conta a história de Adolfo Kaminsky, um adolescente que salvou milhares de crianças ao falsificar passaportes".

O documentário francês foi realizado por Samantha Stark, Alexandra Garcia, Pamela Druckerman e Manual Cinema Studios.

A mostra de cinema inclui ainda três curtas e uma longa-metragem húngara, é de entrada livre e foi organizada em colaboração com a JUDAICA -- Mostra de Cinema (Lisboa) e com curadoria de Elena Piatok.

Na primeira Noite serão exibidos "No Salão da Fifi", "O Falsificador" e "As senhoras do Clube Ladino".

Para a segunda noite está prevista a longa-metragem "Febre ao Amanhecer".

A mostra de cinema integra o evento internacional que pretende dinamizar a investigação, preservar e partilhar a identidade religiosa e cultural dos judeus portugueses.

O património e os vestígios do contributo histórico e cultural dos judeus portugueses existentes em Bragança é o ponto de partida para o evento internacional que tem como propósito "dinamizar a investigação, preservar e partilhar essa identidade religiosa e cultural".

Para além de "sensibilizar o turismo cultural e religioso judaico, nacional e internacional, salientando a importância da cultura sefardita, este evento procura também recolocar Bragança nas rotas internacionais, especialmente através da proximidade a Espanha, dando uma tónica significativa à vasta região do Norte peninsular".

O congresso internacional incluído no programa tem a coordenação científica da Cátedra de Estudos Sefarditas e irá abordar a "Identidade e Memória Sefardita: História e Atualidade".

A iniciativa conta com o apoio do município de Bragança, que é apontado como "o centro de uma região incontornável para se compreender o património e a herança judaica em Portugal".

A cidade criou recentemente dois espaços culturais que refletem e valorizam essa memória, concretamente o Centro de Interpretação da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano e o Memorial e Centro de Documentação -- Bragança Sefardita, ambos situados na rua Abílio Beça, a já reconhecida "Rua dos Museus".

Segundo os estudiosos, "desde a Idade Média que documentalmente existem provas da importante dimensão económica e cultural da comunidade judaica de Bragança".

Com a passagem dos cristãos-novos, Bragança tornou-se, durante séculos, um dos esteios nacionais do marranismo português.

A partir de 1925, foi recriada a comunidade judaica em Bragança, tendo como base criptojudeus da cidade.



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