Clara Alves

Clara Alves

Líder do WhatsApp

Entrar no Partido Socialista hoje em dia é como tentar subir uma escada rolante que desce. Quanto mais se sobe, mais se percebe que o chão foge debaixo dos pés. E isso foi provado, em primeiro lugar, pela posição do PS no debate da moção de confiança, onde desperdiçou uma boa oportunidade de mostrar responsabilidade e preferiu ser a criança birrenta que derruba o tabuleiro de xadrez quando percebe que vai perder. Pedro Nuno Santos provocou uma crise política que nem o próprio sabe como resolver, mas insiste em querer convencer os portugueses de que é a solução.

Em segundo lugar, e sabendo, desde logo, que os momentos de constituição de listas são problemáticos, vemos um PS mergulhado numa crise interna, onde chovem notícias de entradas inesperadas de uns e saídas lamentadas de outros. E isto diz tudo sobre o rumo que o partido escolheu.

Para tentar conter a tempestade interna – e não deixa de ser irónico - Pedro Nuno Santos, o líder do PS, partilhou recentemente nas suas redes sociais uma mensagem de apelo: “Junte-se à equipa PS no WhatsApp”. A nova estratégia do PS, a de usar o WhatsApp para convidar militantes e simpatizantes a juntarem-se ao partido parece a velha estratégia do seu líder. Quem não se recorda da famosa mensagem de WhatsApp do então Ministro das Infraestruturas e da habitação e agora Secretário-Geral do partido socialista a despedir a CEO da TAP? Ou Pedro Nuno Santos está realmente à frente do seu tempo, ou a crise na angariação de militantes também já afetou o PS.

Enquanto isto, com o país mergulhado na instabilidade que o próprio PS ajudou a criar vamos assistindo às guerras palacianas das constituições das listas, onde os participantes mais incómodos são eliminados ou saem por vontade própria para evitar associar-se ao caos instalado.

Acontece que, entre a gestão de egos e as manobras políticas, o partido relegou para segundo plano o país e os portugueses. Muito se falou de um novo programa, de virar a página, de apresentar uma alternativa moderna ao país. Mas a verdade é que, para lá da retórica e dos chavões reciclados, ninguém sabe exatamente o que propõe o PS.

Resta saber até quando esta escada rolante continuará a descer.

Clara de Sousa Alves


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