O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) alertou hoje que os meios do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) alocados aos bombeiros são “manifestamente insuficientes” no distrito de Bragança.
“São manifestamente insuficientes. À medida que nos afastamos das grandes cidades, principalmente nas zonas do interior - e o distrito de Bragança é um dos mais fustigados - aquilo que o INEM investe e suporta é uma ambulância por cada concelho, o que é pouco”, disse o presidente do órgão sindical, Rui Lázaro, em entrevista à agência Lusa.
Em Bragança, são 12 concelhos e existem 15 corpos de bombeiros. Três deles – Torre de Dona Chama (Mirandela), Sendim (Miranda do Douro) e Izeda (Bragança) são postos de reserva em vez dos chamados Postos de Emergência Médica (PEM), protocolados com o INEM.
Nos casos dos postos de reserva, o serviço é na mesma adjudicado pelo INEM, mas a ambulância e tripulação a utilizar em caso de ativação são da responsabilidade dos bombeiros.
De acordo com os últimos censos, o distrito de Bragança tem perto de 123 mil habitantes.
Desde o início do ano, a corporação de Mirandela, naquele distrito, já respondeu a 41 ocorrências fora da sua área de intervenção, revelou o comando à Lusa. Em 2024, foram 155. No total, por ano, respondem a entre 2.500 a 3.000 emergências.
O corpo comandado por Luís Soares tem uma ambulância PEM e cinco de reserva: ”Neste momento, se os bombeiros de Mirandela dissessem que só tinham uma ambulância disponível, a PEM, diria que 50% das ocorrências ficariam sem socorro”, contabilizou o comandante.
Maioritariamente, respondem a chamadas de zonas limítrofes, algumas já do distrito de Vila Real, como Valpaços, e outras até dentro do mesmo concelho.
“O distrito de Bragança carece de meios. Não pelo número elevado de saídas, mas por algumas variáveis que são difíceis de controlar”, começou por considerar Luís Soares.
Desde logo, explicou o comandante mirandelense, o hospital da capital de distrito é, quase sempre, o de referência, por ser o que tem mais valências diferenciadas concentradas, mas “dista a muitos quilómetros da maior parte dos concelhos”.
Isso aumenta o tempo em que veículo e operacionais gastam numa ocorrência, sem poderem valer a novas intervenções.
No caso, os meios de Mirandela, que geograficamente é central no distrito, chegam a ficar empenhados três horas numa saída, entre deslocações, transporte da vítima até ao hospital e depois o regresso ao quartel.
Contudo, Luís Soares indicou que há corporações em que são “quatro a seis horas de ocupação: O que significa que num turno, se houver uma ocorrência, metade do tempo já está ocupado”, segundo Luís Soares.
Para Luís Soares, quem analisa as estatísticas olha apenas para o número de saídas em vez do tempo que, efetivamente, cada serviço pode demorar.
O comandante lembrou ainda que o hospital de Mirandela tem vindo a perder valências, citando a urgência médico-cirúrgica que funciona apenas como urgência básica, o que deixa Bragança, a 60 quilómetros e "já encostada a Espanha", como única opção no distrito.
Na vila de Izeda, a 40 quilómetros de Bragança, as duas ambulâncias destinadas ao pré-hospitalar são de reserva, uma delas oferecida no ano passado pela câmara municipal: ”Não é fácil conseguirmos comprar uma. Custa cerca de 70 mil euros”, disse à Lusa o comandante Óscar Esménio.
A corporação com cerca de 40 elementos, que responde também a ocorrências nas áreas limítrofes quando é chamada, chegou a ter empenhado no socorro um veículo com quase 30 anos.
O sindicato reforça que as distâncias a percorrer na região têm de ser tidas em conta.
“Numa grande cidade, quando uma corporação de bombeiros está ocupada, a vizinha está a um curto espaço de tempo. No interior do país, falamos muitas vezes de mais de 50 quilómetros. Não é compatível nem aceitável, porque vai fora de tempo, que pode muitas vezes custar vidas”, frisou Rui Lázaro.
Para dar uma resposta mais eficaz na emergência pré-hospitalar naquela região de Trás-os-Montes, o presidente do STEPH defende que seria necessário, pelo menos, duplicar o número de ambulâncias protocoladas.
A Lusa contactou o INEM, mas não recebeu resposta até ao momento.